História

A origem do nome “Formigueiro” vem do inicio da colonização. Passando pelo lugar uma comissão de engenheiros, um deles, ao ver tantas carretas no lugar, que era ponto de pousada dos carreteiros que se dirigiam para a fronteira, teria dito: “- Isto parece um formigueiro”.

Uma estância de índios catequizados pelos jesuítas, a fazenda de São João, existente em 1780. Foi construída dentro da tradição portuguesa, usual entre os fazendeiros ,com paredes constituídas por pedras de vários tamanhos. Um dos proprietários era o Coronel Manoel Veríssimo Simões Pires,nascido em primeiro de Outubro de 1835 e falecido com 72 anos em 4 de Julho de 1907 em São Sepé. Ele foi combatente na guerra do Paraguai e político.
Feito o inventário, a casa ficou para o filho, Felipe Simões Pires. Este veio a falecer com 69 anos e o filho Homero Pires Neto herdou os lotes de terra , onde estava a casa. servindo de moradia desde que foi construída, por alguns tempos, foi cedida ao CTG coxilha verde para o desenvolvimento de atividades campeiras.
Existe , na casa, um busto de São Pedro, esculpido em um tronco de madeira, que, segundo Homero, foi salvo do saque dos espanhóis, nas missões jesuíticas,em meio a uma batalha dos sete povos das missões contra os espanhóis e teria sido enviado para o Coronel Veríssimo. o interior do busto é escavado nas costas ,local onde os jesuítas guardavam o dinheiro. a escultura apresenta na área do nariz, um corte, que dizem ter sido feito por um soldado com a espada.
A edificação possui, na parte superior da fachada, detalhes decorativos, denominados “eira e beira”, sinal de prosperidade e de posses do dono da casa. O galpão de madeira foi construído a mais de 100 anos, e guarda objetos usados no passado( foice manual, aranha9 meio de transporte), e uma ervateira antiga).
No centro da casa existe um famoso e misterioso “quarto escuro” ligado apenas por uma porta a área social, sem nenhuma janela. Seria o quarto das filhas do estancieiro? Segundo Homero,no depoimento de uma herdeira de uma estância, ela diz : – no quarto, a família se reunia para rezar , em dias de tempestade, diante das imagens.
” A existência do quarto escuro” nas casas de todas as estâncias não seria pela arquitetura de séculos atrás não conhecer a técnica de uso do “poço de luz”? Seja como for ,o mistério daquela peça permanece.
A população já era numerosa e o território,em virtude do desenvolvimento da província do Rio Grande de São Pedro e da consequente criação de novos municípios , foi subordinado, inicialmente a Rio Pardo, depois a Cachoeira do Sul, Caçapava do Sul, e finalmente a São Sepé.
Até 1827, existia um povoado denominado Formigueiro, o núcleo populacional mais forte do distrito de são Rafael, subordinado a cachoeira do Sul, o povoado de Formigueiro, em 15 de novembro de 1827, passou a oitavo distrito. A área de oitavo distrito ficava entre os rios Vacacaí e São Sepé até boqueirão, avançava em direção do Rincão das Vacas Gordas, onde se instalaram lavradores com pequenas chácaras.
Esses pequenos proprietários eram, na maioria, agricultores pobres que abandonaram estâncias e ex- soldados, aos quais vieram somar-se artífices, como ferreiros e carpinteiros.
Em 1833 foi feita uma nova divisão administrativa no município de Cachoeira do sul, anexando o distrito de formigueiro e mais o quarto e o quinto distritos de Cachoeira do Sul ao de São Rafael, tomando a denominação deste último. Em 1876, foi criado o Município de São Sepé e abrangia o distrito de Formigueiro.
Nesse mesmo ano, chegaram os primeiros colonos alemães a Formigueiro: Henrique krum. Pedro Germany, João Sherer,João Pedro lorentz, João Dellinghausen e Guilherme Barnasque. Nos anos subsequentes, foram atraídas novas famílias: Jorge Schirmann, Germano Wegner, Frederico Becker, João Hoffmeister, Jacob Gass, Frederico Schundt e Gustavo Kath. que, por anos a fio, foi estafeta, fazendo a linha entre Restinga Seca/ Formigueiro/ São Sepé.
Após a proclamação da República , Antão farias foi nomeado diretor de obras públicas do estado e lançou os olhos para Formigueiro, a terra natal, derrubando matas, rasgando o sertão da Sesmaria da Aroeira, abrindo a Picada Grande. Com isso, desbravaram- se novos horizontes para o comércio de Formigueiro.
No ano de 1910, chegaram os primeiros colonos italianos: João Filipini, Antônio Zambon, Adolfo Martini, Aníbal Martini, , João Rosso, Victore Cassol, José Boemo,Luiz Cassol, Vitório Argenta e Emílio Marzari. As colônias italianas e alemãs foram fatores de progresso de Formigueiro, devido a contribuição na agricultura.
A paróquia de Formigueiro foi criada em 19 de março de 1938, por ordem do bispo Dom Antônio Reis, tendo como padroeiro São João Batista. É subordinada, desde a criação,à Diocese de Santa Maria. Pelo decreto-lei 720 de 20 de setembro de 1944, do Interventor Estadual, formigueiro passou então, a segundo distrito de São Sepé.
Em 1960, com o falecimento de Darci Lorentz- Titular do cartório de Formigueiro- veio para substituí-lo João Pedro Bettega,cidadão culto, dinâmico, idealista e com visões progressistas.
Na época , havia no Estado um movimento para emancipação de diversos distritos. Bettega, lendo jornais,deparou-se com um distrito menor que Formigueiro e que fora emancipado. Convidou Homero Pires Neto(na época juiz de paz) para iniciarem um movimento de emancipação que salientou : “como filho desta terra não deixaria de apoiar esta importante idéia”.
Naquele momento, Bettega assumiu a responsabilidade de coordenar a campanha e enviou a seguinte carta ao Deputado Carlomagno que estava por assumir a presidência da Assembleia Legislativa do Estado. Em 2 de maio de1961, já como presidente da Assembleia, Carlomagno enviou instruções para a emancipação. Bettega , então começou a executá-las.
Como escrivão, já que a documentação passaria pelo cartório, Bettega formou uma comissão e ficou como coordenador geral.
Teve inicio um movimento emancipacionista, cuja semente foi lançada por João Pedro Bettega. A comissão em prol da emancipação política de Formigueiro,era constituída por João Pedro Bettega (coordenador geral), Eloy Milton Frantz( presidente), João Manoel Lopes da Silva(primeiro vice- presidente), Pedro Jorge Calil (Primeiro secretário). Os demais membros foram Homero Pires Neto, João Hermes Gaspary, Maria Glaci Alves da Silva, Teresinha Lorentz Dotto , Carlos Alberto Dellinghausen, José Pires Lorentz e Maria Beatriz Dellinghausen Lorentz.
No conselho deliberativo estavam Oscar Polmann,Artur Polmann, Isidoro Lorentz,Carlos de Carlos, Silvio Carlos, Jacinto Costa e Inocêncio Corrêa. No período de formação do processo de coleta dos documentos, a comissão permanente e executiva ficou representada por Homero Pires Neto e Eloy Milton Frantz, por determinação do coordenador.
Segundo Homero Pires Neto,fizeram a primeira viagem em uma Kombi dirigida pelo proprietário Artur Polmann,pernoitaram em cachoeira e foram de ônibus até Porto Alegre.
Iniciaram então a busca pela documentação: certidão d arrecadação, população, número de veículos, casas comerciais, produção agrícola , indústria , pecuária, nº de títulos eleitorais, etc.
O distrito sofreu uma redução de área com a criação do distrito de Vila Block. Foi solicitado ao vereador sepeense João Carlos Gazen, com a aprovação do projeto em 30 de novembro de 1962. Os documentos ficaram sob a guarda de Homero Pires Neto, que era uma espécie de secretário particular do coordenador. Bettega entregou a Homero toda a documentação dizendo: “Fica contigo que és da terra, não quero misturar com os papéis do cartório”.
A comissão recebeu o auxilio de muitas pessoas, entre elas a visita de apoio de Onil Xavier e Danúbio Pires e do conterrâneo Custódio Simões Pires que, residindo em Porto Alegre e conhecendo o deputado Solano Borges, informava sobre o andamento do processo. Também o prefeito de São Sepé, Tulio de Assis Farias Brener, que forneceu certidões necessárias e José Luiz Dellinghausen (escrivão substituto do cartório). A certidão com estatística estadual foi motivo de preocupação,diz Homero, pois a lei exigia 12.000 habitantes e oficialmente haviam 8.000 habitantes. Custódio Simões sugere urgente ida a capital, pois outros municípios estavam coma a mesma dificuldade pela exigência dos 12.000 habitantes.
Houve então intensa movimentação. Em seguida a lei tornou-se flexível e emanciparam-se distritos com três e quatro mil habitantes, inclusive distritos pertencentes a municípios vizinhos.
Em data não precisa, de maio a Junho, foi protocolado o processo na Assembleia Legislativa, sendo aprovado pela mesma no mês de
Julho e o plebiscito foi marcado para 25 de Agosto, quando a população formigueirense iria votar “sim” ou “não”. Foi iniciada uma campanha para que a população votasse “ sim” , coma distribuição de panfletos aos formigueirenses e apoio do núcleo formigueirense de Porto Alegre.
Na colônia Antão Farias , onde diversas famílias manifestavam-se contra , foi realizada uma reunião com resultados positivos. Grande parte das emancipações sofreram restrições dos municípios de origem por interesses políticos,administrativos e econômicos. Mas os formigueirenses tinham convicção de que seria bom para eles e para o município de origem, São Sepé. A população de São sepé não era contra mas temia pelo futuro.
Em 12 de julho de 1963, recebemos uma carta de Chico Simões ( ex prefeito de ao Sepé) expondo sua posição e desejando felicidades e que seria uma emoção muito forte poder viver e ver Formigueiro crescere desenvolver-se.
Em 25 deagosto foi realizado o plebiscito, tendo 800 votos “sim” e 150 votos “não”. Em 9 de outubro de 1963 , pela lei estadual n°4.575, assinada pelo governo Ildo Meneghetti, foi criado o município de Formigueiro, com sede na vila de mesmo nome.
Em 19 de janeiro de 1964, foi realizada a primeira eleição para escolha dos poderes Executivo e Legislativo.
O primeiro mandato , de 1964 a 1969, foi exercido pelo prefeito Leopoldo Hugo Stamm, tendo como vice, Homero Pires Neto. Os primeiros vereadores foram Adelino Pedro de Figueiredo Cardoso, João de Matheo, Dr. Pedro Jorge Calil, Romano Guido Marzari, Jehovah Pires Lorentz, Helio César Pires e Leoniz Pires Motta.

Fonte: GRESSLER, Gilse Teresinha C. Formigueiro.Enciclopédia dos Municípios do Rio Grande do Sul. [S.l]: [S.n], [s.d]. Cd rom